Uma história informal

Sou de Belo Horizonte, Minas Gerais, nasci em 1979 de uma família bastante tradicional. Sempre me interessei pelo desenho e pelas Artes Visuais em geral. Entre desenhos e esculturas de sucata, minha infância também teve momentos de pintura mural nas paredes de casa e o colecionismo de embalagens de produtos, caixas de sabão em pó e caixas de café torrado, que chegavam até o teto enchendo cômodos inteiros de volume cor; aos domingos minha mãe pedia que eu desenhasse alegorias sobre os sermões que ouvíamos na igreja, muitas vezes nas contracapas de sua Bíblia ou na de meu pai, mas na maioria das vezes num kit que ela levava na bolsa para ocasiões como aquelas.

No fim dos anos 1990 ingressei na Escola de Belas Artes da UFMG onde me formei como bacharel em gravura no ano 2000. Em 2001 me tornei professor de Arte no Colégio Batista Mineiro, uma instituição centenária onde lecionei por 10 anos. Em 2003 me tornei professor no projeto Arena da Cultura da Prefeitura de Belo Horizonte, onde tive experiências mais ousadas no ensino de arte. Ao mesmo tempo em que minha carreira se desenvolvia no campo específico do ensino de Arte, outro caminho se desenvolveu na formação de educadores indígenas, o que começou com o magistério indígena pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais a partir de 2000, até o Curso de Formação Intercultural para Educadores Indígenas da Faculdade de Educação da UFMG, do qual me desliguei em 2008.

Nesse período acumulei algumas especializações e uma publicação mais importante, escrevendo as Orientações Pedagógicas do livro Arte Indígena no Brasil, da antropóloga Els Lagrou pela Editora C/Arte, com parceria da professora Lucia Pimentel. Escrevi manuais e organizei exposições dentro e fora das instituições onde atuei e desenvolvi um trabalho artístico tão diversificado quanto essa experiência. Ofereci palestras, participei de seminários e simpósios sobre a Arte e seu ensino.

​Em 2011 me mudei para Brasília com a família e atuei principalmente como consultor de educação escolar indígena para organismos internacionais como OEI e UNESCO no Ministério da Educação, o que me fez pensar mais sobre o poder harmonizador de realidades violentamente dispares através da Arte e seu poder humanizador tantas vezes subestimado. Retomei meu estúdio em casa com o espaço virtual, o www.pulodosapo.com, que se tornou minha aposta numa vitrine para comercialização desses trabalhos. Em 2015, com uma família maior, voltei a me dedicar ao ensino de Arte.

Tomei a figura do sapo como símbolo da capacidade de reação às adversidades, de transformação interna e externa, de purificação e, portanto, de criatividade. Platão inspirou com sua filosofia a expressão vitoriana “a necessidade é a mãe da invenção”, mas em Minas Gerais o homem simples não acredita que faz filosofia, então diz que está matutando. O matuto vai dizer que “a necessidade é que faz o sapo pular”, que sabedoria! O sapo não treina, não se exercita não se movimenta até que a necessidade se apresente crua diante de si. Se o grego dizia “só sei que nada sei”, o mineiro vai dizer nas palavras de Guimarães Rosa “eu quase não sei de nada, mas desconfio de muita coisa”. Assim, segui minha formação acadêmica e meu trabalho pessoal buscando servir ao meu propósito, minha vocação de contribuir com quem deseja o mesmo com a minha arte.

Tornei-me mestre em Artes pela UnB em 2018 com uma dissertação sobre a obra Bartira (1954) de Victor Brecheret (1894-1955) e sobre o conceito de “indianidade”, que acredito ter sido uma das buscas dos modernistas no início do século XX. Tendo deixado a sala de aula em 2019, em 2020, sem jamais imaginar algo como o COVID-19, passei a dedicar-me integralmente à minha produção artística, oferecendo Arte de qualidade para meus clientes usando o melhor da minha habilidade e formação de excelência. Finalmente, no segundo semestre de 2020, iniciei meus estudos no bacharelado em teologia pelas Faculdades EST, um ciclo que preciso fechar para a melhor compreensão das minhas motivações espirituais no meu trabalho, uma dimensão que nunca deixei de considerar em minhas pesquisas e criações. 

 

Inicio 2021 com a estranha sensação de ter voltado ao início, graduei-me em pedagogia, um novo começo. No fim de 2020, e, em meio ao isolamento social, retornei a BH para esse recomeço como "pai solo". Aqui o atelier já existe um espaço físico privilegiado cada vez mais adequado e muito trabalho já tem sido executado. 2022, no entanto, tem sido um desafio ainda a ser superado em constante esperançar. 

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