MINISTERIO ANGELORVM - TRANSMETÁFORAS
Foi um caminho de autoconhecimento e cura que passou por encarar as bases frágeis do pensamento ocidental e me compreender como parte de um sistema complexo, mas delicado. Mesmo sendo um percurso incompleto são os trabalhos que deram início a este site, por isso nunca quis retirá-los deste espaço. 

Assim como a capa da edição de A divina comédia que eu admirava na casa dos meus pais, acredito que a vida é dinâmica e o seu todo é formado pelo alto e pelo baixo, pelo divino, pelo terreno e pelo infernal. ao mesmo tempo. Sendo assim, aproveitei minha própria enfermidade mental, a depressão, e fiz essa "viagem de trem" do "céu" ao "inferno", guiado por minhas referências nesse projeto: O Livro de Enoque (300-200 a.C.), O Evangelho Segundo São Mateus (50-75 d.C.), Léonin (1135-1201), Pérotin (1160-1230), São Tomás de Aquino (1225-1274), Dante Alighieri (1265-1321), Philippe de Vitry (1291-1361), Guillaume de Machaut (1300-1377), Jan van Eyck (1390-1441), Hironymus Bosch (1450-1516), Lucas Cranach o Velho (1472-1553), Palestrina (1525-1594), Carlo Gesualdo (1566-1613), Telemann (1681-1767), Goya (1746-1828), Gustave Doré (1832-1883), Rachmaninoff (1873-1943), Karl Orff (1895-1992), Maria Martins (1894-1973), Ismael Nery (1900-1934), Francis Bacon (1909-1992), William Burrows (1912-1997), Walmor Corrêa (1960), Jaider Esbell (1979), Hildur Guðnadóttir (1982), Fábio Oliveira - Crânio (1982) e Brus Rubio (1983). Tudo isso porque acredito que não se deve visitar o inferno sozinho quando se pretende retornar, isso aprendi com o Dante. 

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Em determinado momento desse meu trajeto me senti confiante a ponto de deixar ir "toda a esperança", como estava escrito na porta do inferno Dante, algo que preocupou as pessoas próximas a mim naquela época, e, posso dizer que, realmente, em alguns momentos senti que quase "toquei" a porta do inferno. Mas em outros momentos, igualmente também pude chegar próximo do que eu poderia imaginar ser o êxtase celestial. Claro, tudo isso são metáforas, meta metáforas, um pleonasmo necessário para abordar metáforas da literatura e da tradição de maneira, devo dizer, metalinguística. Meta em latim é trans, então o pleonasmo proposital fica menos cacofônico como transmetáfora. Tudo isso, claro, para tentar descrever o que os antigos aparentemente bem entendiam e sabiam ser impossível traduzir em de maneira concreta ou objetiva.